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Ligamento Cruzado Anterior (LCA)

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O joelho é a articulação mais complexa do nosso organismo. Entre os vários ligamento existentes nesta articulação um ocupa lugar de grande destaque biomecânico: O Ligamento Cruzado Anterior (LCA). Sua complexa anatomia o permite desempenhar funções biomecânicas altamente especializadas estabilizando a articulação nos planos frontal e axial. Tal atuação limita a anteriorização excessiva da tíbia em relação ao fêmur, bem como movimentos rotacionais. A lesão do LCA é uma das lesões ligamentares mais frequentes do aparelho músculo esquelético. Nos Estados Unidos estas lesões geram aproximadamente 100 mil cirurgias ao ano.

As lesões do LCA ocorrem mais frequentemente em esportes de alta demanda mecânica, tais como o futebol, o vôlei, o handbol, o basquete, ou seja, esportes que geram movimentos bruscos de mudan~ça de direção (mecanismo de pivô). A incidência maior ocorre no gênero feminimo, por questões de anatomia óssea, muscular e hormonal.

O mecanismo de trauma mais comum na lesão do LCA é o torcional (trauma indireto), podendo ocorrer sem contato físico durante a prática de esportes de maior risco. O mecanismo mais comum em nosso meio, na prática esportiva, é a parada brusca com o pé preso ao solo e o giro do corpo sobre o joelho. Existem vários outros mecanismos, entretanto menos comuns.

A lesão do LCA leva a mudanças drásticas no comportamento biomecânico e cinemático da articulação do joelho. Tais mudanças levam a consequências, às vezes irreversíveis, na anatomia articular. As solicitações mecânicas diárias à articulação levam à sobrecarga dos meniscos e cartilagem. A sobrecarga mecânica sobre os meniscos e a cartilagem leva à falência destes tecidos, evoluindo para artrose na maioria dos joelhos.

O diagnóstico da lesão do LCA é eminentemente clínico, entretanto os exames complementares de imagem (Radiografias, Ressonância Nuclear Magnética) auxiliam na confirmação diagnóstica. É comum ouvir do paciente o relato sobre a audição de um forte estalido no momento do trauma. Este relato é altamente sugestivo de lesão do LCA. A dor de forte intensidade é outro sintoma característico que ocorre no momento da ruptura do ligamento. O derrame articular ocorre, frequentemente, nas primeiras horas após a lesão.

O tratamento cirúrgico é, diante dos fatos mostrados pela literatura médica atual, o tratamento de escolha para a maioria dos casos. Por se tratar de uma lesão mecanicamente incompatível com a prática da maioria dos esportes, sobretudo aqueles que exigem movimentos rotacionais, a cirurgia tem como principal objetivo proteger as estruturas articulares como meniscos, cartilagem e ligamentos periféricos.

Com a indiscutível importância do LCA na cinemática articular do joelho, o tratamento cirúrgico vem se firmando, embasado em evidências científicas, como método de escolha para tratamento destas lesões, sobretudo nos pacientes que tem atividades físicas e/ou laborativas de alta demanda mecânica.

A idade do paciente é fator secundário na indicação do tratamento cirúrgico. A prática física e laborativa, bem como os sintomas de instabilidade sobrepõem a idade na indicação do tratamento.

A variedade de técnicas cirúrgicas existentes tem um único objetivo: Restabelecer a estabilidade articular e consequentemente a biomecânica e cinemática do joelho.

Uma vez estabelecido o diagnóstico e a indicação do tratamento cirúrgico, este deve ser realizado assim que a articulação estiver com uma boa amplitude de movimentos, sem sinais inflamatórios e um bom controle muscular nos membros inferiores. A precocidade no tratamento evita o surgimento de novas lesões, tais como meniscais e cartilagíneas.

A escolha da técnica é muito pessoal e individualizada por cada cirurgião. Os enxertos mais utilizados em todo o mundo são os autólogos (do próprio paciente) do tendão patelar e dos tendões flexores (Gracilis e Semitendíneo). Ambos cumprem as funções a que são destinados na reconstrução do LCA, bem como produzem resultados clínicos muito semelhantes. O enxerto de tendões flexores, como mostrados por vários estudos publicados, apresentam bons e excelentes resultados acima de 85% dos casos.

As vantagens, mostradas pela literatura, do enxerto de tendões flexores são: A menor morbidade no sítio doador, menor incidência de dor anterior do joelho, maior facilidade de reabilitação pós-operatória e um resultado em termos de estabilidade igual às demais técnicas. Isto tem levado à utilização deste enxerto pela maioria dos Ortopedistas Cirurgiões de Joelho.

A reabilitação física pós operatória é parte fundamental do tratamento. Sem a realização da mesma o resultado é, invariavelmente, prejudicado.

A reabilitação pós operatória, didaticamente, pode ser dividida em fases distintas. Numa primeira etapa vislumbra se o controle da dor, diminuição do derrame articular e edema, recuperação da mobilidade articular. Em um segundo momento tem importância o controle neuromuscular, ganho de massa muscular e no final do sexto ao oitavo mês o paciente pode voltar à prática das atividades físicas rotineiras, sendo que esta liberação é individualizada a cada paciente e sua evolução dentro do processo de reabilitação.